Sopro Vital
s.f. Mulher, que tem um ou mais filhos.
Relação de parentesco de uma mulher para com seus filhos.
Qualquer fêmea, que teve filho ou filhos.
Fonte, causa, origem: a ociosidade é a mãe de todos os vícios.
Fig. Mulher caridosa e desvelada.
(Do lat. mater)
Nem no dicionário muito menos na Wikipedia. Mãe não é qualque uma e muito menos qualquer fêmea, e justo por isso não se define nem se encontra em enciclopédia. Mãe não é parentesco. Mãe é texto, contexto e pretexto de Vida. Mãe é substantivo complexo - simples no afeto, composta no sentimento. Mãe é advérbio de tempo, lugar e modo - para sempre, em todo canto, de qualquer jeito. Mãe é verbo em todos os tempos. Amou, ama e amaria, mas especialmente em tempo gerúndio - amando. Mãe é infinitivo: mãe é amar. Mãe é adjetivo do que de mais belo, verdadeiro e justo, planejou-se criar neste mundo. Mãe, primeira das maravilhas, fonte,ventre e berço de todas as outras. Mãe sujeito composto para além do exposto em gesto, frase ou oração. Mãe exercício gramatical de prosa que rima com qualquer emoção quando escrita e descrita, sentida e consentida, pelo coração. Mãe, de geração para geração, no parentesco espiritual dos votos, no encontro ancestral dos laços - mãe braço, mãe abraço, mãe regaço. Mãe que na minha vida rima com exemplo, disciplina - daquela que luta nesta oficina por cuidar das crias, para que cresçam sagradas na estima, com confiança e perseverança no escrutínio de sua sina - crescer para o Ser - não sem sacrifício. Mãe ofício de Ser e Estar para quem lhe é, e a faz estado e sentido do existir. Mãe que mais do vida dá, oferece. Oferece de si para nutrir os que mais do que caros, lhe são raros e preciosos, para o que veio neste mundo, cumprir. Mãe é elixir.
deNise
Maio. Marca. Mãe. Meio. Medida. Metade. Mito. Missão.Milhagem. Motivo. Movimento. Mobilidade. Mulher. Mundo. Mudança.
"Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua vã filosofia."
Shakespeare
Ele noite,
Ela dia.
Ele análise,
Ela empatia.
Ele método,
Ela alegoria.
Ele realidade,
Ela fantasia.
Ele mestrado
Ela mestria.
Ele douto,
Ela sophia.
Ele discurso,
Ela assobia.
Ele ciência,
Ela alquimia.
Ele metanálise
Ela astrologia.
Ele relatório,
Ela melodia.
Ele planilha,
Ela nostalgia.
Ele crítica,
Ela simpatia.
Ele síntese,
Ela epifania.
Ele matéria pura,
Ela perfumaria.
Ele lógica,
Ela magia.
Ele contrição,
Ela euforia.
Ele silêncio,
Ela alegria.
Ele laboratório,
Ela tapeçaria.
Ele fogo,
Ela ventania.
Ele terra,
Ela maresia.
Ele rudeza,
Ela ironia.
Ele falo,
Ela folia.
Ele pão,
Ela doceria.
Ele letra,
Ela poesia.
Ele&Ela,
amor de cio,
construção e família.
Como provar dessa sintonia?
Como testar essa harmonia?
Com que metodologia?
A que conclusão se chegaria?
E quando se pensa ter encontrado todas as respostas,
mudam-se as perguntas,
aprofundam-se os temas, as questões
em novos teoremas
da fantasia.
Há mais coisa entre dois corações
do que ousada sonha
nossa romântica filosofia
na pragmática luta de entender
o que se entenderia
se a razão não se perdesse
frente ao mistério do Belo
a Beleza do Bom
ao encanto verdadeiro da poesia.
DeNise
"...O teu trabalho é a oficina
Salve Jorge,
nas mãos a espada do guerreiro,
transforma dragão em cordeiro.
Salve Jorge,
no galope do cavaleiro,
o ideal em seu coração é companheiro.
Salve Jorge,
nas tuas mãos e no teu galope,
dos homens és o primeiro,
Salve Guerreiro Cavaleiro Companheiro,
o suor da batalha em teus flancos,
o gemido dos meus versos inflama,
o mistério das matas a desbravar,
essência espiralada de si mesmo -
em nós ideal a conquistar é nosso fiel escudeiro.
Salve Jorge,
na tua cavalgada meu sonho,
no meu sonho o afeto verdadeiro.
Salve Cavaleiro
meu sonho de companheiro.
Salve São Jorge,
Guerreiro Protetor,
dos que vivem pelo Amor
pelos campos do Senhor.
DeNise
Morar nas nuvens
sentir respingos de estrelas
cirandar com os planetas
para descer a Terra
no escorrega a cauda dos cometas.
Hoje
a avó é quem mora nas nuvens
vestida de estrela.
E a menina?
Virou mulher,
aprendeu a olhar onde pisa
e mudou-se prá Lua
muito embora, de quando em vez,
ainda avoada
cai numa cratera
e vem dar na Terra.
onde pode ser vista
respingada de estrelas
purpurinada de astros
vestida de nuvens
volitando pela rua.
DeNise
Uma mulher percorrendo a estrada da evolução que ousa andar por onde vão os seus pés, tendo como bússola o coração.Há muito dei-me ao abandono.
Abondono é escolha.
Meu cais é arremesso contra os corais.
Arranha.
Machuca.
Sangra.
Minha profissão é da vida a minha cura.
Saracura de minhas florestas,
Saracura de rio.
Sara e cura.
Eu que vim do mar e nado em rio,
Não tenho porto.
Frequento aeroporto.
Sonho o vôo
mas vivo de mergulhos.
Minha vida é improviso.
Improviso o cotidiano
que rima com a poesia
do que em mim se faz dia
e melodia.
Meu dia clareia outros dias.
Minha noite só eu conheço.
Nela componho a partitura desta sinfonia.
Sou pisciana.
Nascida nas águas de março,
O mar é meu berço e meu balanço.
E neste mundo ao qual me lanço,
sou uma sereia fora d'água.
Metade de minhas escamas refulgem ao sol da vida,
que brilha de dia,
a outra metade rebrilha luar.
A noite desperta me encontra a sonhar
e acende estrelas no meu olhar.
Pisciana que sou,
saí do mar para a vida.
Meu canto ecoa no ar.
Entoado, ao invés de naufragar,
ajuda a salvar.
Penteio meus longos cabelos salgados
nas brumas do tempo que ouso navegar.
Tanto mar...
Tanto amar...
Tanto abandonar...
Abandono-me nas ondas
entregue a correnteza
elas é que me fazem navegar.
Mar a mar
maramar
mar
amar,
terras a conquistar,
mundos a desbravar.
Tanto mar.
Tanto amar.
Perto de muita água
tudo é feliz...