Sopro Vital

Cidade_de_boa_vista

 
 
No frio Rio nublado,
as nuvens empacotaram
o Sol.
 
Nas nuvens,
sentimentos em pacotes,
guardam luz radiante.
 
Nos rasgos dos embrulhos,
o firmamento em fresta
é desanuviado azul.
 
Quero rasgar pacotes,
e embrulhos.
Para vestir-me com os laços
de festa.
 
No céu ou na floresta?

 

Para o caudaloso calor de rio,

Boa Vista adiante,

meu norte.

 

Quem me leva?

 

Vento forte,

à boreste.

Azul minha alma

veste.

 

 

Nublada

Nublado

Queda brusca de temperatura. Quinze molhados úmidos graus marcam os termômetros do lado de fora da minha tela. Da janela a vista é ofuscantemente cinza, tão ofuscante que parece refleo de neve. Claridade em demasia, cega. Prefiro dias de mal tempo e escuridão onde pelo menos é possível acender luz e lareira. A vida se repete na estação onde como nunca os dias caminham ainda mais curtos enquanto eu me alongo. Mesmo treinada, há dias que doí-me o lombo para não citar o ombro. Precisão de tempo ruim até quinta. Eu parto antes. Enquanto é de cinzas o clima de fora, dentro de mim brilha o sol. No similia similibus do clima tempo, equilibro-me. Para me preservar coloco os óculos que raramente uso - os escuros. Reconheço bem qual é a luz do sol que me cegou e fez ver. Lamentavelmente não se pode energar pelos outros. Olhando para mim e não para o meu umbigo busca me cuidar. A mala física é muito simples de preparar - uma saia, 3 camisetas, 2 vestidos, 3 conjuntos de roupas íntimas, uma malha de ginástica, o tênis, a sandália de festa e a rasteira - uma necessarie de encantos e outra de maravilhas. Os livros e mais livros dos mais do que diversos autores que outrora eu levava nos ares substituídos pelos que escritos por mim, fazem não só a mim voar. Para economizar dinheiro e manter a tradição do peso, um pouco mais da metade voou SEDEX, mas a outra parte eu mesma carrego. Seria o suficiente para ganhar da vida a trilha não fosse a frasqueira emocional ainda por arrumar. O que colocar entre cartões de embarque, netbook, uma carteira, lápis, bloco de anotações e o romance que ontem escolhi para me embalar os sonhos durante a viagem? Diferente das roupas, maquiagem e badulaques, preciso de todos os sentimentos, até os inalcançaveis, para garantia de pouso e decolagem. Pergunto a torre de comando mas o cinza que ofusca molhado, a mantém fechada. De minha janela não passa um avião no céu. Quem subiu e ainda não desceu conta com o auílio de aparelhos. E eu? Que faço eu?

PRESENTE PARA UMA MÃE

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Prato limpinho, quarto arrumadinho, tratar bem o amiguinho.
Gargalhadas, casa cheia, sono tranquilo antes da hora da ceia.
Primeiros passos, primeiras palavras,
O primeiro e inesquecível sorriso
que tem perfume, cor e som,
Primeiro  dengo, abraço com beijo
que tocam acarinhando o coração.

 

Gostar de aprender, de ajudar, de escutar
e bem empregar as palavrinhas mágicas:
Desculpe não vou fazer de novo.
Desculpe vou melhorar.
Desculpe não fiz prá machucar.
Te amo - mãe como você não há.
Obrigado por se importar.
Obrigado por ser ímpar no meu par.
Obrigado por me criar em um lar.
Te amo - mãe linda como você não há.
 
Bom comportamento e uma coleção dos melhores sentimentos
expressos em gestos, palavras, ações são e para sempre serão
os mais belos presentes que se pode ofertar
a quem consentiu seu corpo oferecer
para berço de um novo Ser,
dando do leite de seu afeto e pão de seu espírito
para nutrição necessária no educar
ver crescer e amar,
a gêmea alma a seu lado como par
na espiralada jornada estelar.
 
Beijo, carinho, toque abraço.
Perseverar mesmo quando em cansaço.
Estudar para se aprimorar,
e com confiança obstáculos enfrentar.

Cair e levantar.

Em si acreditar,

viver para conquistar.

 
Ser fiel, constante, contente
em cada laço que vier a formar.
Ouvir e escutar.
Ter mãos de segurar e ofertar,
 pés de caminhar
e força para lutar,
sabendo quando investir
e reconhecendo quando recuar.

Poder partir sabendo onde chegar

e o poder de voltar.

 
Ter olhos de ver e enxergar
para o humano e sobrehumano
coração mirar
e acertar
no alvo de sua missão:

ser o que é,

ser o que veio Ser,

ser o que é para o Ser,

o por vir.

 

 

Ver o filho creSER e  triunfar,
é o  mais valioso presente
que se pode desejar
quando mãe se é e se dá
para um novo mundo ajudar a criar.

 

Nise

Eu, a minha e as outras. Todas D+.

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s.f. Mulher, que tem um ou mais filhos.
Relação de parentesco de uma mulher para com seus filhos.
Qualquer fêmea, que teve filho ou filhos.
Fonte, causa, origem: a ociosidade é a mãe de todos os vícios.
Fig. Mulher caridosa e desvelada.
(Do lat. mater)

Nem no dicionário muito menos na Wikipedia. Mãe não é qualque uma e muito menos qualquer fêmea, e justo por isso não se define nem se encontra em enciclopédia. Mãe não é parentesco. Mãe é texto, contexto e pretexto de Vida. Mãe é substantivo complexo - simples no afeto, composta no sentimento. Mãe é advérbio de tempo, lugar e modo - para sempre, em todo canto, de qualquer jeito. Mãe é verbo em todos os tempos. Amou, ama e amaria, mas especialmente em tempo gerúndio - amando. Mãe é infinitivo: mãe é amar. Mãe é adjetivo do que de mais belo, verdadeiro e justo, planejou-se criar neste mundo. Mãe, primeira das maravilhas, fonte,ventre e berço de todas as outras. Mãe sujeito composto para além do exposto em gesto, frase ou oração. Mãe exercício gramatical de prosa que rima com qualquer emoção quando escrita e descrita, sentida e consentida, pelo coração. Mãe, de geração para geração, no parentesco espiritual dos votos, no encontro ancestral dos laços - mãe braço, mãe abraço, mãe regaço.  Mãe que na minha vida rima com exemplo, disciplina - daquela que luta nesta oficina por cuidar das crias, para que cresçam sagradas na estima, com confiança e perseverança no escrutínio de sua sina - crescer para o Ser - não sem sacrifício. Mãe ofício de Ser e Estar para quem lhe é, e a faz estado e sentido do existir. Mãe que mais do vida dá, oferece. Oferece de si para nutrir os que mais do que caros, lhe são raros e preciosos, para o que veio neste mundo, cumprir. Mãe é elixir.

deNise

 

 

Boa Vista em Maio

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Maio. Marca. Mãe. Meio. Medida. Metade. Mito. Missão.Milhagem. Motivo. Movimento. Mobilidade. Mulher. Mundo. Mudança.

 

Palavras que o sonho me apresentou para composição, talvez sopradas ao meu inconsciente na última quarta quando um anjo louro, desses que caem do céu em dia de ira divina quase que por engano, e não conseguem retornar a sua falange pois a asa quebrada os impossibilita o retorno, me cantou:"Você devia tirar 100 em redação quando criança."

 
Sorri. Ele estava tão longe da verdade. Se as notas eram suficientes para me colocar entre as melhores no exame, ainda estavam longe do podium e das medalhas - minha redação, sempre consoante com o que escrito nas estrelas, primava e ainda prima, pelo incômodo de dizer o interdito, de revelar o a custo, reprimido. A bolir com o que é sentido. Quem daria nota máxima a quem maximiza sua dor? Quem máxima nota daria a quem denota o que não se quer notar? Em colégio de padres, quem não nasceu para freira e refrear, está fora de lugar. Quem ousa discutir Mãe Maria, não é virgem filha. Preferível não estimular o talento desse elemento. Continuei escrevendo e aprendi a andar. Andar para notar.
 

Não caminho por obrigação, mas antes por necessidade.

Caminho para o prazer nos passos cumpridos no dever de realidade. Levar a palavra para quem a escute além da sonoridade.

A viagem que já foi adiada duas vezes, contida pelos freios da miserabilidade humana- dor, traição e doença - a primeira por problemas de terceiros que jamais me serão alheios, e a segunda por complicações de minha saúde que furtaram-me força e geraram receios, acontece agora. Se meu corpo se comportar, minha alma volta a voar. Assim como no passado, Boa Vista será campo de avaliação de voo. E de lá para onde a vista não consegue alcançar.

 

O único veículo que piloto é meu corpo, preciso de sua mecânica e aerodinâmica, para chegar aonde a alma (re)conhece que necessita estar para o prazer do cumprimento da realidade. Haja milhagem! Encontrar meio e medida respeitando os limites do movimento e da mobilidade, deveríamos todos. A brincadeira da vida é muito séria.

 

A vida é um jogo? Quem quer perder este jogo? A vida é um esporte? Quem se inscreve para o treino discciplinado e comparece para a avaliação de rendimento? Se jogo, qual deles? Se esporte, que modalidade? Que atleta é você se ainda não venceu o medo de perder? Que profeta é você se ainda não dominou o medo de morrer? Quem é você que ainda não desenvolveu o que por legado, talento e oficina, ainda não é o que deveria ser? E ainda professa que quer ser a mudança que gostaria de ver no mundo...

 

Artífices de nós mesmos, esculpimos o corpo nos solos, campos, quadras e octógonos do mundo, mas a definição fina e bela de nossos músculos a fazemos nos treinos do espírito pelos voos alçados rumo aos fins que são meios nas metades, mitos vividos no exercício de nossa vitalidade buscando integralidade na desigualdade. Hercúleos, Apolíneos, Dionísicos - nossas partidas refletem o arquetípico de nossas chegadas.Nelas o mapa. Nelas a marca.

 

A vida é arte. A vida faz parte. A vida reparte.

De quando em vez também é consorte.

Ao final de nossas longas andaças, chegamos finalmente ao lugar de onde partidos, partimos.E o vemos então pela primeira vez.Para isso caminhamos a vida inteira:para chegar ao lugar de onde partimos.E, quando chegamos, é surpresa.É como se nunca o tivéssemos visto.Retornamos inteiros.

 

Fique atento à vida. Faça, ouse e busque.mas acima de tudo, não ouça ninguém sem ter antes escutado o seu coração.

A alma é uma borboleta - há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose. O voo da borboleta exige a partida do casulo.

Fica o corpo vazio, pleno espirala o espírito.

Infinitamente belo, insuportavelmente efêmero, o brinquedo da vida.

 

deNise

Com Ciência

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"Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua vã filosofia."

Shakespeare

 

 

Ele noite,

Ela dia.

 

Ele análise,

Ela empatia.

 

Ele método,

Ela alegoria.

 

Ele realidade,

Ela fantasia.

 

Ele mestrado

Ela mestria.

 

Ele douto,

Ela sophia.

 

Ele discurso,

Ela assobia.

 

Ele ciência,

Ela alquimia.

 

Ele metanálise

Ela astrologia.

 

Ele relatório,

Ela melodia.

 

Ele planilha,

Ela nostalgia.

 

Ele crítica,

Ela simpatia.

 

Ele síntese,

Ela epifania.

 

Ele matéria pura,

Ela perfumaria.

 

Ele lógica,

Ela magia.

 

Ele contrição,

Ela euforia.

 

Ele silêncio,

Ela alegria.

 

Ele laboratório,

Ela tapeçaria.

 

Ele fogo,

Ela ventania.

 

Ele terra,

Ela maresia.

 

Ele rudeza,

Ela ironia.

 

Ele falo,

Ela folia.

 

Ele pão,

Ela doceria.

 

Ele letra,

Ela poesia.

 

Ele&Ela,

amor de cio,

construção e família.

Como provar dessa sintonia?

Como testar essa harmonia?

Com que metodologia?

A que conclusão se chegaria?

 

E quando se pensa ter encontrado todas as respostas,

mudam-se as perguntas,

aprofundam-se os temas, as questões

em novos teoremas

da fantasia.

 

Há mais coisa entre dois corações

do que ousada sonha

nossa romântica filosofia

na pragmática luta de entender

o que se entenderia

se a razão não se perdesse

frente ao mistério do Belo

a Beleza do Bom

ao encanto verdadeiro da poesia.

 

DeNise

Lunática

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Aqui se passa fome, aqui se odeia, aqui se é feliz, no meio de invenções miraculosas.
 
O homem, essa criatura que aspira ao equilíbrio, compensa o peso do mal com que lhe partem a espinha, com a massa do seu ódio quando o amor deveria ser a argamassa de sua obra.
 
Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens. Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade. O mais elevado estado de equilíbrio é voar livre de tudo e, ainda assim, manter-se firmemente enraizado na realidade do mundo.
 
Sofro por causa do meu espírito de colecionadora-arqueóloga.
Quero pôr o bonito numa caixa com chave
para abrir de vez em quando e olhar.
 
Beleza não é luxo. É uma necessidade!
 
Sobre as caixas equilibradas de uma insana cidade
a beleza desafia a realidade -
é de lua, é de miragem,
é de vistas para uma outra sanidade.
 
deNise

( Lua Cheia em Escorpião, 6 de maio de 2012)

Autografe a Sua Obra

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"...O teu trabalho é a oficina
Em que podes forjar a tua própria luz."

Emmanuel

A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.

Homens fracos acreditam na sorte. Homens fortes acreditam em causa e efeito. A inspiração existe, mas tem de te encontrar a trabalhar.As ações do homen são o album de retratos das suas crenças.Nosso tributo é pago em segredo no recesso de nossos corações, mas ele se revelará. Aquilo que domina nossas imaginações e nossos pensamentos determinará nossa vida e nosso caráter. Portanto, cabe a nós ter cuidado com o que adoramos, pois o que nós estamos venerando nós estamos nos tornando.Trabalha com gosto e terás o gosto do trabalho.

Se seu  objetivo de vida é ser feliz, você deve procurar ser útil, honrado, compassivo, fazendo com que sua vida, bem vivida, faça alguma diferença.O prêmio por uma coisa bem feita é tê-la feito e uma das mais belas compensações da vida é que nenhum ser humano pode ajudar o outros sem que esteja ajudando a si mesmo.Sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele. Nenhum trabalho de qualidade pode ser feito sem concentração e auto-sacrifício, esforço e dúvida.

Tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Receba essa herança, honre-a, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos.

Rir muito e com frequência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso.

Todo o trabalho é vazio a não ser que haja amor, mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer.O seu trabalho não é a pena que paga por ser homem, mas um modo de amar e de ajudar o mundo a ser melhor.Trabalho é amor tornado visível, auto retrato da pessoa que o realizou. Autografe sua obra!

Denise Espiúca Monteiro

Salve Jorge

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Salve Jorge,

nas mãos a espada do guerreiro,

transforma dragão em cordeiro.

Salve Jorge,

no galope do cavaleiro,

o ideal em seu coração é companheiro.

Salve Jorge,

nas tuas mãos e no teu galope,

dos homens és o primeiro,

Salve Guerreiro Cavaleiro Companheiro,

o suor da batalha em teus flancos,

o gemido dos meus versos inflama,

o mistério das matas a desbravar,

essência espiralada de si mesmo -

em nós ideal a conquistar é nosso fiel escudeiro.

Salve Jorge,

na tua cavalgada meu sonho,

no meu sonho o afeto verdadeiro.

Salve Cavaleiro

meu sonho de companheiro.

Salve São Jorge,

Guerreiro Protetor,

dos que vivem pelo Amor

pelos campos do Senhor.

 

DeNise

Avoada

Revoada

A avó sempre dizia
menina olha onde pisa
mas ela insistia em andar olhando pro céu...

Morar nas nuvens
sentir respingos de estrelas

cirandar com os planetas

para descer a Terra

no escorrega a cauda dos cometas.


Hoje

a avó é quem mora nas nuvens

vestida de estrela.

E a menina?

 

Virou mulher,

aprendeu a olhar onde pisa

e mudou-se prá Lua

muito embora, de quando em vez,

 ainda avoada

cai numa cratera

e vem dar na Terra.

onde  pode ser vista

respingada de estrelas

purpurinada de astros

vestida de nuvens

volitando pela rua.

 

DeNise

About

Uma mulher percorrendo a estrada da evolução que ousa andar por onde vão os seus pés, tendo como bússola o coração.Há muito dei-me ao abandono.
Abondono é escolha.
Meu cais é arremesso contra os corais.
Arranha.
Machuca.
Sangra.
Minha profissão é da vida a minha cura.
Saracura de minhas florestas,
Saracura de rio.
Sara e cura.

Eu que vim do mar e nado em rio,
Não tenho porto.
Frequento aeroporto.
Sonho o vôo
mas vivo de mergulhos.

Minha vida é improviso.
Improviso o cotidiano
que rima com a poesia
do que em mim se faz dia
e melodia.

Meu dia clareia outros dias.

Minha noite só eu conheço.
Nela componho a partitura desta sinfonia.

Sou pisciana.
Nascida nas águas de março,
O mar é meu berço e meu balanço.
E neste mundo ao qual me lanço,
sou uma sereia fora d'água.

Metade de minhas escamas refulgem ao sol da vida,
que brilha de dia,
a outra metade rebrilha luar.
A noite desperta me encontra a sonhar
e acende estrelas no meu olhar.

Pisciana que sou,
saí do mar para a vida.
Meu canto ecoa no ar.
Entoado, ao invés de naufragar,
ajuda a salvar.

Penteio meus longos cabelos salgados
nas brumas do tempo que ouso navegar.

Tanto mar...
Tanto amar...
Tanto abandonar...

Abandono-me nas ondas
entregue a correnteza
elas é que me fazem navegar.

Mar a mar
maramar
mar
amar,
terras a conquistar,
mundos a desbravar.

Tanto mar.
Tanto amar.
Perto de muita água
tudo é feliz...